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Vestido
do Outono
Emília
Possídio
Um sonho desfeito
com travor incrível,
perdido no fundo do peito
onde dorme um pretérito
inaudível.
Bebe essa lágrima com
gosto,
em pequenas gotas de forte
desejo
desfeitas em cálido
desgosto
que rola na face, que seca e
não vejo
Nos braços da noite
tecido em cetim, o peito
agasalha
silêncio que não dorme,
açoite
que corta igual a afiada
navalha
No leito, anúncio de
momento rubro
Silente e desfeito é o
rosto
de lascivas esperas de
outubro.
Outono chegando, vestido
do corpo.
Fortaleza,
06.11. 2005
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