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Uma Fazenda, Um Roçado
Emília Possídio
Um cercado, uma fazenda
na beirada de uma estrada
semoventes na engorda
para aumentar nossa renda
à noite uma fogueira
rodeada de canção
uma beleza brejeira
dedilhava um violão

Nas noites enluaradas
muito amor no coração
aquecendo as madrugadas
com o fogo da paixão

O sol nascia cedinho
com a obrigação matinal
João esperava o padrinho
para assistir a ordenha
e tomar leite com espuma
na porteira do curral

Em anos de bom inverno
com riachos a correr
a seca que era um inferno
se vestia de beleza
com a mata a florescer

Ah! que saudade me dá
do pinho mudo e calado
da casa tão pequenina
sob um céu enluarado
do namoro de menina
de cada beijo roubado

Ah! que saudade me dá
dos passeios no roçado
do cantar da passarada
que aos pares em revoada
contornavam a serrania
da brincadeira animada
de um viver de alegria
Ah! saudade preservada
da vida que vivi lá!

Fortaleza, 12.11.2004
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