A resposta do poeta
Trieto Entrelaçado
Vera Mussi - Sylvia Cohin - Emília Possídio
&
Fernando Peixoto

A nossa homenagem ao Poeta/Mestre Fernando Peixoto.
Nossas letras e inspirações dedicadas ao grande amigo, tão presente
em nossos corações !




POETA TRISTE...
Vera Mussi Fernando Peixoto
 
Pretende ouvir as estrelas...
poeta sonhador...?
Para a poesia tudo é possível ,
até a dor merece um pouco de fantasia ...
É ousadia pura .
Verdade inflexível !
Nos meus vôos entre os astros
Busco o silêncio celeste
Das estrelas que sorriem
No infinito dos sonhos.
Do coração vai ouvir a voz da ternura ;
Da paixão os soluços ...e os ais ...
Dos afetos ,  a inestimável doçura !
A voz da razão o poeta não deseja escutar ,
nesta noite de melancolia ...
Não, não há razão que se eleve
À dimensão das galáxias
E eu percebo que o meu canto
Se espraia pelo universo
Onde os meus deuses repousam.
Quanta loucura !
O amor presente pranteia
o recente e inefável  suspiro !
Com tanta saudade consegue derramar
as lágrimas que restam nas veias
do coração ressentido,
banhado com a antiga emoção da felicidade
que um dia viveu ...
Esqueça o triste passado !
Já aconteceu ...
Mas se o Passado é o Presente
Com que o Futuro se apressa,
Não se apaga o que se sente
No final do que começa.
As lembranças despertam
todas as esperanças de um amor ,
ainda criança ;
ampliam todos os sentimentos
que nascem da inspiração latente ...
Com expressão deseja tocar o coração da
gente ; cria versos e rimas que
duram eternamente !
Por isso a lira que tanjo
Possui notas inaudíveis,
Solfejos só perceptíveis
Em pautas feitas de linho.
Ah! poeta triste , melancólico ,
vamos comemorar o grande amor  ...
Quem vive dele nunca mais morre
do mal de amar ...
Do sentimento estóico  ,
tal qualidade dele sempre decorre :
- Nunca mais sentirá qualquer dor .
Momento histórico !
Há, todavia, em meus passos
O ritmo febril da angústia
De quem sabe a dimensão
Escassa dos próprios braços.
E se corro, salto, vôo,
Rodopio em furacão,
Logo me vem o enjôo
Desta humana condição.
 
Vera Mussi
Fernando Peixoto


 

TRISTE POETA...!
Sylvia Cohin  Fernando Peixoto
 
 
Haverá estrelas a quem falar
dos versos escritos nessa noite escura?
Melhor sonhar sem fronteira,
onde p´ro canto alegre ou triste,
nasce a rima da ternura...
Soltam-se as rimas ao vento
Dançam os versos no éter
E as ondas do pensamento
Ondulam no firmamento
Nos cabelos de Deméter
Melhor contar pro coração
coisas que o mundo nem sabe:
Pranto de amor só existe
p´ra que a rima não se acabe...
Não se acaba a rima quando
A Dor aprende a rimar
Com versos que vão voando
Nos sonhos do verbo Amar.
Esquece, Poeta, a tua sina!
Enxuga o pranto do passado
que afinal foi bom um dia...
Não há dor sem proveito nem amor
sem alegria...
Não há fruto sem semente,
chuva sem nuvem
nem passado sem presente
que acorda sem medo,
no berço de outro dia!
Escuta, musa, os sinais
Dos mais tímidos segredos
Que nos escapam dos dedos
Em gestos tão naturais
Que afastam de nós os medos
Para espaços siderais
E devolvem a coragem
De assumirmos a certeza
De sermos, nesta paisagem,
Mais que uma simples miragem,
Um oásis de pureza.
Canta ao vento a rima da lembrança
que renasce toda hora em cada esquina!
A saudade é chão de caminhante
que alimenta a inspiração menina!
Eu quero alimentar a esperança
Que o poema clareia e ilumina
E sentir nessa luz a segurança
Com que o Sol irrompe na neblina.
Oh, poeta sonhador!
O teu canto sem fronteira,
é alento que enfuna a vela,
que impele o barco a navegar
contra a procela,
que acende a chama da Verdade,
que seca o lodo do charco,
e rasga as portas do horizonte
na busca infinita ou derradeira,
de tua amante e companheira...
A Eternidade!!
Eu sei que o Canto é a minha meta
Condenado que estou nessa sentença
De ser Anjo, de ser Homem, ser Poeta,
E se o Passado me trava na Saudade
Abro as asas e vôo sem detença
Rumo ao Norte, ao Sonho, à Eternidade!

Sylvia Cohin
FERNANDO PEIXOTO
Porto, 03.04.2006

POETA!...
 
Emília Possídio  Fernando Peixoto
 
Ouça as estrelas que te falam.
Aquelas que te agasalham com seu brilho
e aquecem a alma livre com seus raios
expandindo teus passos sobre um trilho
onde a noite se faz canto,
sem fronteiras, em lúdicos ensaios.
Óh, Poeta! Escuta as tuas musas
Que te falam em gorjeios de harmonia
E transformam as palavras que tu usas
Na mais terna e doce melodia.
Escuta os trinados desse Canto
E enxuga neles o teu pranto.
Poeta,
a tristeza se faz prece declamada nos altares...
Com gestos trêmulos, brilham mãos ,
na noite escura...a tua procura!
Vaga-Lumes piscam leves nos lugares
para sobejar luz no teu peito com ternura.
Na vastidão da noite eu te procuro
Como se fosses da noite o meu luar
E no meu passo incerto, sempre errante
Descubro-te, afinal ali, bem perto,
Farol, derrubando aquele escuro,
Luzeiro encaminhando o navegante.
Triste Poeta,
é fria a escuridão de noites seculares...
A tristeza se acomoda
e aí perdura, em fase histórica!
Agasalha-se no espaço desbotado da paisagem.
Ouça o canto das estrelas
cintilando sobre os mares,
 alumiando o mais recôndito
da alma heróica
que sabe abrir o peito em forma de poesia
para o  poeta triste se vestir de alegria!
Óh, Poeta! Ergue a tua fronte,
Lança os olhos ao céu e às estrelas
E transporta o brilho que vês nelas
No brilho das águas: tua fonte.
Só então a madrugada fria
Surgirá na linha do horizonte
Como um cálido hino de alegria.
 
Emilia Possídio
Fortaleza, 04.04.2006
FERNANDO PEIXOTO
Porto, 09.04.2006

 








Pagina editada por Emília Possídio em 10.04.2006
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