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Tão Longe...
Emília Possídio
Tão longe
onde os ventos cantam
num rincão distante
onde as sombras se encantam
em profunda imensidão
de mundos insondáveis
descansarei meu coração
mudo e cansado
na cidade encantada
onde os silêncios moram...

Não levarei suspiros de saudade
tampouco os dias da minha mocidade
não terei malas
nem tralhas na bagagem
ou qualquer outra coisa
que amealhei ou desfrutei
durante a viagem

Levarei, sim,
o labor do que construí
o amor que distribui
o pão que porventura reparti
Levarei amizades
alguns quinhões de solidariedade
um misto de bonança e felicidade

Deixarei retalhos
do que ficou inacabado
alguns projetos perdidos no passado
a chama acesa a consumir
alguma coisa que restou
dos dias que vivi
alumiando a certeza e a esperança
dos dias que hão de vir

Fortaleza, 14.05.2004/
15:00h
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