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PERDI A HORA
Emília Possídio
Não me esqueci,
apenas atrasei o passo
perdi o momento mágico
em
que ancoraste no porto...

Perdi o compasso do tempo.
Que pena!
Perdemos a hora do abraço...
Não cumprimos o acordo;
aquele contrato tácito
ruiu, enferrujou,
desgastou-se,
perdeu-se
entre o convés e o teto...

Acelerado... Flutuou...
Apitou e partiu;
no refluxo de uma vaga
nossa vida por um fio
foi ficando amarelada;
no bolso roto do tempo
um rabisco de saudade;
igual pedra no sapato
fere, machuca e não mata.
A hora parece...não passa...
O tempo passa e não volta!
Fortaleza, 13.11.2005

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