O ROSTO
Emília
Possídio
Cada um é responsável
pelo rosto que tem.
Nele vão se construindo marcas,
risos concisos,
largos sorrisos também ...
Em cada agosto
surge um novo traço,
na vertical ou no seu oposto;
um aqui, outro ali;
uma ruga mais leve,
outra mais profunda;
algumas dão jovialidade,
outras maturidade;
esta incomoda,
aquela, a maquiagem acomoda...
Todas e cada uma
vão mostrando com clareza
que é chegada a
madureza!
Eis o rosto que apresento
refletido no espelho da verdade,
mostrando minha face
fosca
sem retoques, sem pintura
e sem botox...
Não há outro igual ao meu...
Bonito ou envelhecido,
semelhante ou parecido,
cada um fica com o seu.
O rosto que vejo agora,
retratado no espelho,
não é o mesmo de outrora...
O tempo roubou-lhe o viço,
marcou-o, severamente,
com o langor outoniço!
Fortaleza, 3.01.2006
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