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Num Haras
Emília Possídio
Engraçado onde moram os cavalos!
No haras, em baias,
casas geminadas, aglutinadas...
Lá também vi araras.
Gosto de cavalos e de araras!...
Cavalos têm olhos grandes, expressivos,
duas pedras negras de ônix...
Olham-me, olhando...
Têm vistas claras...Choram...
E são cavalos...
São fortes, são grandes!...
Uns são dóceis, outros ariscos, ignorantes
e têm passadas possantes.
As araras quando irritadas nos ferem
com seus bicos...E sangra...E dói!...
Acariciei um cavalo...Dócil...Alto...Forte...
E é cavalo...Com cavalos eu falo...
Têm olhos negros como a noite,
profundos como o tudo...
Úmidos de lágrimas!...
Por que choram os cavalos?
Por que choro...Por que choramos todos?
É preciso chorar!... É necessário viver!...
Araras coloridas... Voam!...
Têm penas...E falam...
Eu às vezes vôo... Sem penas...
Vôo nas asas dos meus pensamentos azuis, vermelhos, coloridos...
Como as araras!...
Cavalos não voam...Marcham...
Acossados, mastigam freios dourados,
debaixo do chicote e da espora.
E choram...
Araras são lindas...
Se não lhes põem corrente nos pés, voam...
Eu cavalgo...Falo...Choro...
Se me magoam...Vôo...Como as araras!
Recife 28.12.2005

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