Meus Ceifeiros
Emília Possídio


Numa alameda esquecida
De um Horto Florestal
Tracei uma vida florida
Á sombra de um mangueiral



Não importa o codinome
De doutor ou carpinteiro
Se professor ou obreiro
Me conforta e o que me importa
Foi ser leal companheiro



Acolá fomos felizes
E vivemos a cantar
Superamos os deslizes
Para os rebentos criar



Carlos Júnior - o guardião,
Com o saber de Salomão
Luiz Cláudio, um Ipê-roxo,
Nunca nos deu um desgosto
Isabella a cidadela
Uma guerreira bela
Karina a rosa menina
Dote da prole divina



Essas foram as árvores
Que no chão fomos fincando
Aroeira ou Facheiro
Ipê-roxo ou Pau Brasil
Eles, os nossos obreiros
Conduzidos com ardil
Classes da locomotiva
De uma vida produtiva



Eu irei
Mas, de lá verei
O labor dos filhos meus
O dispor de querer Ser
Ao invés de querer Ter



Eu irei e sentirei 
No bater do coração
Cada um dos meus ceifeiros
Plantar e colher a união



Fortaleza, 14.10.2004


 

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