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MÃE MENINA
Emília Possídio
Jamais te imaginei menina
Ou criança pequenina
Somente “grande” e Mãe
É como eu te via
Agora entendo o que dantes não entendia
Porque sou mãe
Mas fui bambina um dia

Foste heroína até no sofrimento
Fortaleza e segurança de cada momento
Com asas de águia num vôo persistente
Protegias tuas crias de perigo eminente

Teu ninho era teu lar
Teu lugar sagrado, teu altar
Porto-seguro dos teus pintainhos
Que cedo voaram para fazer seus ninhos

Meus olhos passeiam pela sala das lembranças
Vejo-te na labuta cotidiana em cada canto
A reclamar a algazarra das crianças
Os filhos dos teus filhos a tirar o teu descanso

Então, passaste a ser mais MÃE
Porque MÃE de pais e de outras mães
- Cresceu demais teu Coração!

Tão passageiro foi o tempo da bonança
Foi tão ligeiro desfrutar essa pujança
A nossa casa – A Arca da Aliança
Hoje é saudade que machuca e dói
Mas nosso amor o tempo não destrói

Fortaleza, 06.05.2004
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