Homenagem do "Cochilando nas Estrelas", aos  versos do Poeta que
sabe, com muita propriedade, a dor da Pátria a sangrar e a do irmão a sofrer.


A LOUCURA DO POETA
Fernando Peixoto

Que a voz do Poeta não se cale
Que os olhos do Poeta não se fechem
Que os seus versos sejam a sirene
Que alerta toda a gente à sua volta
Que o poema seja o grito inconformado
Dos braços que se erguem na revolta
Contra os braços curvados e a cerviz
Submissa ao peso da opressão
Que o poema seja sempre vertical
Um relâmpago enorme em noite escura.
Que o Poema seja uma canção
E rasgue o medo em mil pedaços
Com versos de amor e de ternura
Espalhados por mil bocas e mil braços.
Que o Poeta seja mais que um ser humano
E que tanja a lira do seu canto
Elevando a Poesia até ao céu
E que entregue aos homens o seu Fogo
Assumindo o papel de Prometeu.
 
Quando o Poeta escreve por Amor
A palavra torna-se a armadura
Com que o Homem vence a própria dor
E destrói o vírus da amargura.
 
É louco, o Poeta? Deixem lá:
O mundo precisa da loucura.
 
Fernando Peixoto
Portugal 
06.08.2007
 

 

                                                      

                                         

 

Pagina editada por Emília Possídio em 14.08.2007
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