Homenagem, especialíssima, ao meu querido irmão,   com muito carinho, admiração e afeto.

Flor de Liz
Carlos Alberto Possídio
 
Flor de Liz, deslumbrante, quase divina,
Perfumando lírio em vazo de cristal,
Conscientemente não é mais menina,
É forma inversa, mulher, linda, sensual.
Oh, semblante angelical, quanto alvor!
Venenosos olhos negros, lindos, impecáveis,
Lábios sedutores. Sumo inebriante de amor,
Mãos aveludadas, plumas intocáveis.
 
Caminhar sutil, passo quase inaudível,
Passos no compasso que passa, lá vem ela,
Ostentando, qual rainha, imponência indizível,
É este o fidelíssimo retrato da jovial donzela.
A sinuosidade dos quadris, é um terror!
Irresistivelmente, é de causar comoção,
Daquelas pra se morrer de amor,
Dilacerando o corpo, a alma  o coração
 
Quem dera pudesse eu beijar-lhe a face
Experimentar o singular odor de seu perfume,
Suplicaria que o tempo não parasse,
Já insinuando trágicas cenas de ciúme.
A travessa imaginação começa a perceber,
Seu bendito corpo envolto entre meus braços,
Fruindo meus desejos ao entardecer,
Enternecendo o fardo desse meu cansaço.
 
Curvado ante seu porte, desesperadamente,
Tal qual judeu errante a sua procura,
Buscarei encontrá-la, obstinadamente,
Não perderei de vista angelical criatura.
A exuberância  de sua beleza sacrossanta,
É turbilhão devastador de corações,
É pérola rubra que a todos encanta,
Com o torpor de insopitáveis emoções.
 
Aquiescesse Deus a infinita ventura,
E permitisse sorver a efervescência de seu amor,
Louvaria ele, glória nas alturas,
Legando ao passado as chagas de minha dor.
Então, se um dia chegasse a enlouquecer,
Teria, assim, conseguindo meu desiderato,
E quando, ao depois viesse a perecer,
O ornamento da campa seria seu o RETRATO.

 

 
Petrolina, PE, 07.05.1999

 


 

           

                   

           

          

 

Pagina editada por Emília Possídio em 10.05.2006
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