Entrelinhas
Emilia Possídio


Entre uma e outra linha 
Vou rabiscando meus versos
Bordando nas entrelinhas
Os meus sonhos mais diversos
Prateados ou dourados
Uns prelúdio de canções presentes
Outros preâmbulo de emoções passadas

Vou me dando
E deixando que me sondes
Permitindo que me toques
Que me sintas
E escutes o meu canto
Dedilhado em acordes compassados
No violão das lembranças
De um coração ritmado

Sobre a linha imaginária do horizonte
Com a tinta que escorre
De um sol incandescente
Que em declínio vai se pondo
Atrás da ponte
Vou desenhando meus versos
E deixando que me sondes
Nas entrelinhas te chamo
Não me escutas
Porque nunca me respondes 


Fortaleza, 29.07.2004
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Página editada em 02/12/2005.

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