O DECIFRAR DA INCÓGNITA

Dueto entrelaçado

Zena Maciel - Cleide Canton

&

Emília Possídio



 

INCÓGNITAS DE UM POETA
 Zena Maciel  Emília Possídio


Poeta divinal!
Em que paraíso cósmico
buscas teus versos?
Em que estrela encontras
a luz das tuas rimas?
Com vestes de sonhador
 dormem os versos do amor
no espaço estelar,
deixando as rimas à mostra
na cadência do luar.
Em que oceano
navegas as metáforas
das tuas trovas?
Em que lírico poema hibernas
tua alma?
Em que asas flamejam teus
mistérios?
As trovas e as metáforas
vão flutuar no além-mar
para a alma descansar
no entremeio das estrofes
do mais  lindo versejar.
Nos  cantos e nos mistérios
onde o poema hiberna.
Em que súbito silêncio
mora tua saudade?
Em que lua de mel
descansas teu  estóico coração?
Voarão no infinito os silêncios
 recheados de saudades
dos beijos que'inda não dei
  desejos que sufoquei.
 Em  que céu escondes teus
sonhos solitários?
Em que calabouço jogastes
os restos do teu amor profano?
Até quando  tuas palavras
 serão uma incógnita?
Os sonhos solitários
ficarão num coração de cristal.
Nele se decifra a incógnita
no despertar matinal
de cada rima do verso
e nos restos do reverso.

Zena Maciel12/07/2004
19.04.2006
Emília Possídio
Fortaleza, 19.04.2006


DESVENDANDO O MITO
Cleide Canton  Emília Possídio

Quem pergunta
da resposta é ciente.
Busca o poeta
a inspiração em qualquer poente.
A resposta está contida
na límpida consciência
da inspiração persistente
que brota em cada poente.
Sem mesmo ver
é doce e amargo crente.
Apenas sente.
Brinca com o passado,
tece as redes do futuro
e deixa o presente de lado.
Não omite nem mente.
Apenas tem visão diferente.
O passado são memórias
para se construir
as mais diversas histórias.
O presente do poeta
é o seu viver de agora
tecido com sabor benfazejo
da pura lágrima que chora
na escura dor do desejo.

Não disfarça o sofrimento
nem peca no pequeno lamento.
Mostra nas rimas a sua alegria
e o tamanho da sua fantasia.
Sonha o poeta acordado
e faz da vida um rico bordado.
Ainda que não se veja,
prova-se da doçura
e do travor da amargura
do amor que ainda se sente.
Não se esconde o que é vivo
dentro do querer da gente...
Hiberna sem ter motivo
quando do amor é cativo
em qualquer cometa a passar
que o leve a divagar.
Metáforas estão sempre presentes,
disfarces contundentes
ou apelos inteligentes.
Com alma fortalecida,
mergulha fundo na dor,
fingindo que está contente.
O sonho, sonha acordado
num sentir demasiado.
Não disfarça sofrimentos
embutidos nos lamentos.
O amor e a saudade
que não esconde no olhar
o poeta canta e chora
na magia do luar.
Sua razão é complicada,
sua incógnita mal interpretada.
Nasce o poeta para buscar!
Na alegria das rimas
e nos  apelos frementes
tece versos displicentes.
O poeta canta e chora.
Incógnita não ignora
  e a metáfora, sem demora,
 dá vida e  harmonia ao poema.


Cleide Canton
SP, 16/07/2004
18:30 horas
Emília Possídio
Fortaleza, 19.04.2006

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Pagina editada por Emília Possídio em 24.04.2006
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