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Chove
Chuva
Emília Possídio
Fico feliz quando chove
com relâmpagos e trovões
sinto uma algazarra no peito
e um lampejo de saudade
faz farra nas emoções
Parte de mim fica triste
a outra diz que eu existo...

Gosto da chuva forte
que rebenta renitente
o telhado da cabana.
Chove chuva sem parar,
ao seu tempo, persistente,
minha alma vem lavar
Parte de mim fica aflita
a outra sorri contente...

Gosto dos raios de luz
que invadem as frestas das portas
riscando os céus em clarões.
As águas correm nas grotas
Com a mesma força da chuva
inundam os corações
Parte de mim horas mortas
na outra renascem ilusões...

Gosto quando a chuva vem,
numa parte de mim chove amor
na outra parte, também.
Chove Chuva!

Fortaleza, 12.05.2005
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