Carta de Karla Camila Ferreira Possídio Marques, apresentada ao Colégio Santa Maria em Recife, PE, onde está matriculada no 3º ano colegial. (quando da digitação não houve qualquer modificação no texto)

Recife, 11 de setembro de 2007

Senhor deputado,

 Sou estudante e, como tal, me vejo preocupada com as denúncias, cada vez mais constantes, de corrupção e ambigüidade ideológica por que o nosso país passa. O Brasil padece de uma indecisão no campo político tão grande, a ponto de a palavra “política” designar um jogo anormal no qual a igualdade é ultrapassada por pessoas que conhecem as leis, em vez de zelar por elas. Mesmo assim, ainda acredito que seja o liberalismo que guarda o potencial de superar esse grande impasse.

 Com o sol brilhando no céu da economia, vejo que chegou o momento certo para o senhor, como político que é, acelerar o passo de reformas de que o país necessita. Vossa Exa. dispõe de força moral e política para fazer as mudanças de que nós, cidadãos, ainda precisamos e sem as quais irão encalhar, quando essa maré de prosperidade baixar. Hoje, morto o grande perigo inflacionário que nos rondava e com o sistema mais aberto à competitividade, a corrupção, que no passado costumava andar de mãos dadas com a inflação, surge agora em estado puro. Além disso, ela acaba por bloquear a eficiência dos serviços públicos e, sem dúvida, traz consigo conseqüências que considero piores: a desconfiança e o descrédito de nós, cidadãos,  nos senhores, políticos, nos quais depositamos nossa esperança de avanço e progresso.

Esse novo quadro político me remete a questões fundamentais. De onde vem, afinal, essa roubalheira institucionalizada que independe de ideologia ou de partido político? Penso que estaria ligado ao puro banditismo, ou teria uma ligação com a proteção aos superiores a ponto de lhes garantir impunidade? Tenho para mim que o intolerável e verdadeiramente enlouquecedor nesse governo atual não é  o jogo de forças entre pessoas e leis, rotineiro em qualquer sistema, mas a manutenção dessa duplicidade que há no campo político. O senhor bem sabe como é difícil para os políticos julgarem seus “amigos”, se eles são seus colegas e lhes favorecem em inúmeras vezes, não é mesmo?

Penso, portanto, senhor deputado, que o liberalismo brasileiro, apesar de todos os seus defeitos, pode de fato pressionar para que se passe de uma política ambígua para um estado de valores e de princípios. Afinal, a sua corrupção precisamente, reitero, se localiza na indecisão ética. Se nela ficarmos correremos o risco de jamais resolver essa crise. Como cumprir a lei, se sabemos que nossos amigos jamais serão presos? Acredito assim, que o senhor, como figura experiente, compreende o meu dilema, como cidadão representante da sociedade brasileira.

Atenciosamente,

Karla Camila

 

 

 



 

                                                                                                             



 

Pagina editada por Emília Possídio em 20.09.2007
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