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Berço das Garças
Emília Possídio
Garças voaram sobre o meu soneto,
com egrete dorso, elegante e branco.
Cobriram de alvor copas do barranco
e deram vida às rimas do meu texto.
Com os pés, tocaram a água com leveza,
riscando o céu com as penas do meu canto.
Teceram os ninhos com fios do encanto
pondo nos ipês vidas com destreza.
Dançantes como lindas bailarinas!
No palco, bailam garças pequeninas,
ensaiando seus vôos de liberdade!
Costuram a paisagem feiticeiras,
bailando pelos ares bem faceiras...
Vôo como elas, nas asas da saudade!
Fortaleza, 06.06.2006

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