A COR DA DOR
Emília Possídio
Esqueço que existe o sofrer
quando escrevo
Coloco matiz no que preciso dizer
Não pinto a dor
apenas de marron
dou-lhe cores de aquarela
com harmonia e leveza
vou fingindo que ela é bela
pincelando cada tom
Ordeno as estrofes
com a cadência do meu caminhar
tempero os versos com a rima
vinda do mais profundo do meu pensar
Coloco luz nas estrelas
faço-as sorrir e brilhar
às vezes dormir e sonhar...
À lua me aconchego
peço-lhe emprestado o dourado do luar
para o meu corpo banhar
Conto-lhe as máguas
juntos vamos lavá-las
nas profundezas das águas do mar...
Fortaleza, 05.04.2004